A Ilha da Berlenga é um dos santuários de aves marinhas mais importantes de Portugal. Classificada como Reserva Natural e Reserva da Biosfera da UNESCO, a Berlenga Grande e o seu mar abrigam uma vida selvagem única — a verdadeira razão pela qual a ilha é tão protegida. Neste guia conhecemos as principais aves e fauna da Berlenga e como observá-las com respeito.


As aves marinhas da Berlenga
O arquipélago é, antes de tudo, um paraíso de aves marinhas que aqui encontram falésias e tocas para nidificar.
Cagarra (Calonectris borealis) — a ave-símbolo da Berlenga. Nidifica em tocas e fendas e é mais ativa ao final do dia e à noite, quando enche a ilha com o seu canto inconfundível. A colónia da Berlenga é uma das mais importantes do país.
Airo (Uria aalge) — um dos maiores ícones de conservação da Berlenga, que foi o limite sul de nidificação da espécie na Europa. A população sofreu um declínio dramático e tornou-se um símbolo da importância de proteger a reserva.
Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) — a ave mais abundante e visível da ilha, com uma colónia numerosa que domina as falésias.
Roque-de-castro / painho (Hydrobates pelagicus) — uma pequena ave marinha de hábitos noturnos que também se reproduz no arquipélago.
Corvo-marinho-de-crista (Phalacrocorax aristotelis) — observa-se frequentemente a secar as asas nas rochas e a mergulhar junto à costa.
A vida marinha: um dos melhores destinos de mergulho de Portugal
As águas cristalinas em redor da Berlenga estão entre as mais ricas do litoral português. A zona marinha protegida abriga polvos, moreias, robalos, sargos, nudibrânquios coloridos e densos jardins de algas. Esta biodiversidade faz da Berlenga um destino de eleição para o snorkeling e o mergulho, com visibilidade excecional e fundos cheios de vida.
Outras espécies da ilha
Em terra, é comum cruzar-se com a lagartixa que habita as rochas e com coelhos introduzidos há séculos. A flora resistente ao vento e ao sal completa um ecossistema frágil e singular, adaptado às condições extremas do Atlântico.
Porque é tão importante proteger esta fauna
Por ser uma área tão sensível, o número de visitantes na Berlenga é limitado por dia. É por isso que, para desembarcar, é necessário reservar o BerlengaPass — a taxa oficial do ICNF que ajuda a preservar este património natural. Visitar de forma responsável garante que estas espécies continuam a prosperar.


Guia de ornitologia: espécies, épocas e locais de observação
A Berlenga é um destino de referência para birdwatching em Portugal. A combinação de colónias nidificantes, espécies migratórias e raridades oceânicas atrai ornitólogos de toda a Europa. Este guia detalhado ajuda-te a saber o que observar, quando e onde.
Cagarra (Calonectris borealis) — a rainha da Berlenga
A cagarra é a ave mais emblemática da Berlenga e uma das maiores colónias nidificantes da Europa. Esta grande pardela cinzenta-acastanhada — com envergadura até 125 cm — passa o inverno no Atlântico Sul e regressa à Berlenga entre março e outubro para nidificar nas fendas rochosas e cavidades do solo. O seu grito característico, audível à noite (o nome “cagarra” deriva deste vocalizações), é inconfundível. A população da Berlenga é monitorizada anualmente pela SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e conta com vários milhares de casais.
Melhor época: Abril a agosto, com pico de atividade ao pôr do sol e após o anoitecer.
Melhor local: Falésias norte e zona do farol.
Airo (Uria aalge) — o mergulhador ártico da Berlenga
O airo é uma das aves mais espetaculares da Berlenga e uma raridade no contexto ibérico. Esta auk de bico fino e plumagem preto e branco nidifica nas cornisas das falésias verticais da costa norte da ilha, em colónias que chegam às centenas de casais. O airo é um mergulhador extraordinário — capaz de descer a mais de 100 metros de profundidade em apneia para capturar peixes. O seu voo rasante sobre o oceano e os mergulhos verticais nas falésias tornam-no num dos sujeitos fotográficos mais cobiçados da Berlenga.
Melhor época: Março a julho, durante a época de nidificação.
Melhor local: Falésias norte — visível da costa ou de barco nas excursões às grutas.
Garajau-rosado (Sterna dougallii) — espécie prioritária de conservação
O garajau-rosado é uma das aves mais raras da Europa. A Berlenga alberga uma das poucas colónias nidificantes da Península Ibérica desta espécie, classificada como prioritária pela Diretiva Aves da União Europeia. Mais pequeno e elegante do que o garajau-comum, distingue-se pelo bico vermelho-escuro com ponta preta e pelos tons rosados no peito durante a época nupcial. A colónia da Berlenga é alvo de monitorização permanente pela SPEA.
Melhor época: Maio a agosto.
Melhor local: Praia do Carreiro do Mosteiro e enseadas protegidas.
Gaivotão-real (Larus michahellis) e Gaivota-de-patas-amarelas
As gaivotas são omnipresentes na Berlenga e fáceis de observar ao longo do dia. O gaivotão-real — o maior da ilha — ocupa os pontos mais altos das falésias e o topo do forte. Apesar de comuns, são magnificamente fotogénicos com a luz rasante do final da tarde e excelentes para praticar fotografia de aves em voo.
Espécies migratórias e raridades
A posição da Berlenga no Atlântico torna-a numa armadilha natural para espécies migratórias e raridades oceânicas. Durante os meses de setembro e outubro, ornitólogos registam regularmente espécies como:
- Pintainho-de-barriga-preta (Pterodroma hasitata) — raridade atlântica
- Alma-negra (Hydrobates pelagicus) — pequena e discreta, visível ao entardecer
- Pombo-das-rochas (Columba livia) — na forma selvagem original, não doméstica
- Espécies terrestres em migração: picanços, papa-figos e raridades norte-europeias que usam a ilha como escala
Equipamento recomendado para birdwatching na Berlenga
- 🔭 Binóculos 8×42 ou 10×42 — essenciais para observação das falésias e do oceano
- 📷 Teleobjetiva 400-600mm — para fotografia de aves em voo e nas cornisas
- 📖 Guia de aves de Portugal (FAPAS ou Lynx Edicions) — para identificação em campo
- 📱 App Merlin Bird ID (Cornell Lab) — identificação por som e imagem
- 📋 Caderno de campo — para registos de observação e contribuição para eBird Portugal
Ética e regras de observação de aves na Berlenga
A Berlenga é uma Reserva Natural com regulamentação estrita. Para uma visita responsável:
- Mantém-te nos trilhos marcados — as áreas de nidificação são sensíveis de março a agosto
- Não uses playback (reprodução de sons de aves) — é proibido na reserva e perturbador para as colónias
- Não te aproximes a menos de 10 metros das colónias de cagarra e airo
- Regista as tuas observações no eBird Portugal — contribui para a ciência cidadã
Como observar a fauna na sua visita
Além da fauna, há muito mais para descobrir. Vê o nosso guia completo sobre o que fazer na Ilha da Berlenga.
- Os passeios de barco às grutas e à volta da ilha são ideais para ver aves nas falésias e o corvo-marinho a mergulhar.
- A primavera e o início do verão coincidem com a época de nidificação — o melhor momento para observar aves.
- Mantenha distância dos ninhos e siga sempre as indicações da reserva e da tripulação.
- Para o mundo submarino, escolha um passeio com snorkeling e descubra a vida marinha de perto.
Perguntas frequentes
Há papagaios-do-mar (puffins) na Berlenga?
Não. As aves emblemáticas da Berlenga são a cagarra e o airo; o papagaio-do-mar é uma espécie do norte da Europa e não nidifica no arquipélago.
Qual é a melhor altura para ver aves?
Entre a primavera e o início do verão, durante a época de nidificação.
Venha descobrir a vida selvagem da Berlenga
A melhor forma de conhecer a fauna da Berlenga é a partir do mar. A BerlengaTur leva-o de Peniche à ilha com passeios às grutas e snorkeling, acompanhado por quem conhece a reserva. Veja os nossos packs e preços e prepare a sua aventura — não esqueça de reservar primeiro o BerlengaPass.
Planeie a sua visita: consulte o guia completo da ilha das Berlengas, conheça o catamarã que faz a travessia.
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